
Mais uma vez vim trazer um lindo exemplo de superação. Conheci a Vivi este ano através do blog e logo de cara me encantei com a história dela. A principio uma pessoa frágil e delicada mas que com o passar das conversas se mostrou uma batalhadora. E depois que li toda a história dela, me lembrei da fábula que existe por trás da flor de cerejeira, a sakura. Vi que tem tudo a ver com ela, pois é assim que a vejo.
Flor de Cerejeira significa a beleza feminina e simboliza o amor, a felicidade, a renovação e a esperança. Os samurais, os guerreiros japoneses, eram grandes apreciadores da flor de cerejeira. Desde aqueles tempos, passou a estar associada à efemeridade da existência humana e ao lema dos samurais: viver o presente sem medo.
Hoje
vou contar a minha história. Ela tem muita semelhança com a das meninas do
blog, pois os sintomas da Distrofia são muito parecidos quando começam aparecer
na vida de quem é portador dessa doença.
Tenho
24 anos e a distrofia apareceu "bem" na minha vida por volta dos
dezenove anos, eu já estava casada, e graças a Deus por isso, pois na minha
infância passei por muito sofrimento sem saber o porquê... Como sempre tudo
começa na escola, e nossa eu era o saco de risada dos alunos, tipo: “Olha ela
tem seios na frente e atrás”, isso por causa da escápula alada, quase morria de
raiva... “Coitada não pode escrever no quadro, ela não levanta os braços, deve
ser doença” .. “Bah ela é a Super Tombo” até na lousa da escola escreviam essa
coisas e me desenhavam. Acho que bulling eu sofri bastante, mas nem sabia o que
era isso, sofria bem quietinha, nunca disse nada a minha mãe. Até que graças a
Deus conclui a oitava série, e no ensino médio tudo fica mais difícil, mas “preciso
estudar” foi o que sempre pensei. No primeiro ano não aguentei, as brincadeiras
ficaram piores e parei de estudar no mês de outubro. Os professores diziam pra
minha mãe, que eu já estava passada de ano, e pra não me deixar desistir, mas
pra mim foi demais. Minha mãe não sabia o que estava acontecendo, nunca quis me
abrir muito, pois ela também tem minha irmã pra cuidar. Minha irmã tem Síndrome
de Down, e quando ela
nasceu eu tinha nove anos e desde então virei “mocinha”
como a minha mãe falava, pois minha irmã sempre precisou mais da minha mãe do
que eu. Só no ano seguinte voltei a estudar, e era uma turma diferente, e mesmo
com todas as dificuldades (quase sempre chegava com um joelho machucado de tanto
tombo na rua, mas ainda conseguia me levantar sozinha) graças a Deus consegui
me formar.
No ano
de 2007 estava terminando o terceiro ano, e descobri o Orkut que pra mim foi
ótimo para conhecer pessoas. Foi aí então que eu aqui no interior do Rio Grande
do Sul fiz amizade com alguém muito especial que estava lá no Japão. Muitas conversas
depois nasceu uma amizade, isso em agosto, e dessa amizade brotou no coração
dos dois algo muito mais forte, que fez com que ele largasse tudo lá no outro
lado do mundo e viesse me conhecer. Isso aconteceu no dia 24 de dezembro, ele
desembarcou no Aeroporto de Porto Alegre, e lá estava eu escondida atrás da
minha mãe, louca de vergonha, pois achava que ele iria voltar no próximo avião
assim que me visse, mas graças a Deus ele nunca mais me deixou nem se quer um
dia, ele foi e é um anjo na minha vida. Meus pais o adotaram até a gente se
casar. O Senhor Jesus selou a nossa aliança de amor em maio de 2008.
Foi ele
quem me ajudou a descobrir a distrofia, ás vezes ele me perguntava por que me
levantava desse jeito, nossa eu morria de vergonha, mas era preocupação dele. Ele
notou que eu caía bastante e tinha dificuldade de subir escadas, levantar do
chão, levantar os braços, e só aí foi quando contei tudo pra ele, tudo o que eu
tinha passado e o que eu sentia no meu corpo. Ele quis me levar no médico, mas estávamos
recém casados e a situação não era muito boa, então resolvi trabalhar. Arrumei
emprego em um mercado onde eu ficava das 8 da manhã ás 20:30 da noite em pé
como operadora de caixa e empacotadora. Nesse
esforço todo a distrofia deu um pulo na minha vida, fiquei nesse mercado dez meses
e não aguentei mais, e fui direto procurar os médicos. Esse tempo que trabalhei,
usamos o dinheiro na papelada para podermos ir embora pro Japão, nosso sonho era
de trabalhar juntos no Japão e melhorar de vida, mas antes do meu diagnóstico.
No dia que nossos passaportes ficariam prontos seria minha consulta com uma
neurologista, que disse: “Você tem Distrofia Fascio Escapulo Humeral,
ligeirinho você vai pra cadeira de rodas, se é casada não pense em ter filhos,
e terás que te aposentar, tudo em você vai ficar cada vez mais fraco, seu
coração e pulmão inclusive”... Naquela hora parece que abriu um buraco no chão
e eu caí, mas não conseguia mais sair de dentro dele.
O
sonho de ir pro Japão foi embora e levou com ele muito de dentro de mim, parece
que naquela hora piorei o que faltava, mas com ajuda do meu marido voltamos
para nossa cidade e contei pro meus pais, minha mãe chorou bastante, mas
passou. Desde então estou vivendo de forma diferente meu marido tenta me fazer à
pessoa mais feliz do mundo. Em outubro do ano passado, ele me levou pra São
Paulo, para conhecer uma tia dele, realizei um sonho andei de avião, e lá
ganhei a minha grande amiga, a cadeira de rodas, que hoje me ajuda muito, e eu
não teria condição de comprar. Meu marido, na nossa cidade, me carregava na
garupa de uma bicicleta, mas aí a hiperlordose ficou pior em mim. Hoje estou
mais conformada, assisti com meu marido uma série japonesa que se chama 1 Litro
de Lágrimas, que fala de uma menina com uma doença degenerativa, e nos identificamos
muito com essa história, pois passamos por cenas iguais as do seriado e isso me
faz chorar, mais que 1 Litro de Lágrimas. Quero encerrar aqui minha história
com a frase dessa menina que foi um fato real, e eu peguei como lição...
Me despeço com o sorriso desse lindo casal!
Beijos grandes e inté mais
=)
Que linda história!! Parabens!!
ResponderExcluirConcordo contigo, é linda mesmo. Obrigada pelo incentivo e não deixe de nos visitar!
ResponderExcluiremocionante história!Parabéns!!
ResponderExcluirAgradecemos principalmente a Wivian e as meninas pela oportunidade de deixar minha história aqui, espero abençoar muitas vidas com um pedacinha da nossa história.... Deus abençoe a todos!!!!
ResponderExcluirNão precisa agradecer Vivi, de fato sua história vai ajudar a trazer um novo olhar para muitas pessoas. Beijooo
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