Diante
da dificuldade para as pessoas com deficiência ingressarem no mercado de
trabalho, os concursos tem se tornado uma excelente rota de inclusão. E apesar
de alguns políticos tentarem reduzir a cota obrigatória de reserva de vagas, de
5% para 3%, muitos ainda vem sonhando com a tão almejada segurança e
estabilidade. Se não bastasse a disputa por uma vaga, nós temos ainda que nos
submeter a um interrogatório sobre a veracidade da deficiência e enviar laudos
com no máximo 12 meses AUTENTICADOS, comprovantes para o comitê organizador do
concurso. Entendo que um concurso público é um processo seletivo sério e tal, e
que alguns espertinhos gostem de tirar vantagem, mas inventar uma deficiência
eu já acho demais né não?!

Como
sou amadora nesse quesito concurso, eu imaginava que eles entrariam em contato
pra avisar ou que tivesse algo no site sinalizando algum erro no meu pedido me
dando tempo de corrigir alguma falha (caso houvesse) e eu pudesse ter meu
pedido deferido. Mas não tinha e eu tive que ligar para Brasília umas três
vezes e para números diferentes, até ouvir que meu pedido não tinha sido
deferido pois o laudo enviado não atendia a exigência do edital. Eles alegaram
que não era original, mas o edital pedia original ou cópia autenticada e foi
justamente isso o que enviei. Entrei em
desespero total né, pois só fiquei sabendo disso dois dias antes da prova e não
tinha como corrigir o tal erro já que não era permitido o reenvio dos
documentos ou qualquer reinvindicação. Consegui o telefone do local onde iria
fazer a prova e me informei sobre a acessibilidade do prédio e se lá eles possuíam
a tal banca pra minha cadeira, e me falaram que sim que tinham tudo lá. Fiquei um
pouco mais calma, mas combinei de chegar lá duas horas antes só pra me
certificar. Cheguei lá e tive que contar com a boa vontade dos funcionários da
faculdade pra que eu pudesse entrar com o meu carro. Conferi a acessibilidade e
tive que seguir pra sala com os fiscais. Chegando à sala tive outra agradável
surpresa, não havia banca pra mim. A fiscal chamou o coordenador e ele foi meio
grosso e disse que não sabia da minha solicitação já que eu não havia me
inscrito como pessoa com deficiência, eu confirmei minha solicitação e mostrei
pra ele tudo o que eu estava dizendo. Falei que não precisava de muita coisa, o
birô ou até mesmo uma prancheta já me serviriam, ele disse que ia ver o que era
possível e retornou uns vinte minutos depois com uma prancheta. Consegui fazer
a prova sem maiores problemas (apesar de estar muito cansativa a prova foi
boa). A
saída da sala foi tranquila e pude conversar com uma das fiscais que me ajudou,
ela também ficou surpresa com a falta de organização e burocracia para deferir
o meu pedido.
Sei que
problemas existem em todas as áreas além de pessoas que mentem e se aproveitam
do atendimento preferencial, mas não vejo o porquê de tanta burocracia para
atender e permitir que mais pessoas possam ter acesso a um direito que lhe é
assegurado pela Constituição Federal. Devido ao meu nervosismo e amadorismo,
deixei passar essa falha da organizadora, mas quero que fiquem em alerta para
cada detalhe e passem a brigar mais pelos seus direitos. Este percentual existe
não por sermos considerados coitadinhos, mas por uma falha na própria sociedade
que insiste em não nos ver como pessoas capazes e produtivas. E como falei no
começo, existem políticos querendo reduzir o percentual da exigência no valor
da cota para pessoas com deficiência nas empresas, outro absurdo que devemos
unir forças e lutar contra. Pra reduzir esta cota, o governo precisa mudar
muita coisa a começar por oferecer uma educação de qualidade e inclusiva, que
permita que pessoas com qualquer limitação possa competir em igualdade por uma
oportunidade de emprego, desde que respeite os limites do candidato. E isso
independe de ser uma deficiência ou conhecimento, todos possuímos um limite que
pode ser ultrapassado e compensado por outra habilidade, bastando ser
desenvolvida.
Vou deixar aqui uns links interessantes e importantes para que vocês possam participar do abaixo assinado contra a redução das cotas e uma matéria sobre um rapaz que processou a organizadora do ENEM pelo mesmo motivo que eu, falta de acessibilidade mesmo ele tendo se inscrito e solicitado o atendimento especial.
Beijos e inté mais
=)
Infelizmente muitas organizadores, escolas e faculdades ainda deixam a desejar nesse quesito da nossa acessibilidade para as provas. Eu por exemplo (cadeirante) fui fazer a prova do ENEM certa vez, chegando na faculdade em que seria aplicada a prova, simplesmente me colocaram no 2º andar em um prédio sem elevador com a alegação ridícula de que a tal sala era melhor pois tinha menos barulho, peraí, no momento em que eu me inscrevi eu solicitei uma sala de fácil acesso. No fim das contas ficou elas por elas e acabei fazendo a prova no 2º andar. Mas agora uma dúvida que trago aqui para o blog, essas mesas com a cadeira acoplada que estão sendo usadas em escolas e universidades e completamente inútil para nós cadeirantes, isso é um padrão correto? Tipo, não haveria uma obrigação da escola e universidade ter outro tipo mesa disponível aos cadeirantes ou quem sabe abandonar essa padrão de mesas e usar mesas e cadeiras separadas como antigamente.
ResponderExcluirOlá, de acordo com a ABNT existe sim regras especificas para cada limitação, mas infelizmente muitas entidades de ensino "desconhecem". Essa falha é geral, não procuram adequar de fato os espaços e objetos alegando um alto custo mas na verdade não é. Vou procurar na net materiais sobre isso e vou disponibilizar aqui ok. Abraço
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