quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Pedro Muriel Bertolini

 

Pedro Muriel Bertolini, um homem gentil, engraçado, amigo, de voz suave, com uma família maravilhosa... Ele tem tudo para ser feliz e já viveu tanta coisa nessa vida que acho até que ele me enganou... Não deve ter a pouca idade que diz ter...rsrs... Tem apenas 26 aninhos...rsrs. É ele quem vocês irão conhecer hoje aqui no blog... uma história linda e emocionante.;)






"Quando eu tinha um aninho minha mãe notou que eu era diferente, pois eu não engatinhava como as outras crianças, ao invés disso, eu arrastava a bundinha no chão e caia de cabeça toda hora.

Minha mãe começou a ficar preocupada e procurou os médicos, mas ninguém sabia o que era aquela doença( só fui saber ao certo com 24 anos). Rodamos o país a procura de um diagnóstico, até que disseram que era uma doença muscular. As notícias não eram boas, os médicos disseram aos meus pais que eu viveria no máximo até os 9 anos, que o melhor era se preparar para o pior. Meus pais ficaram desolados, pois eu só tinha 6 anos na época e ainda andava praticamente normal. Nessa época eu passava praticamente todos os dias no hospital, fazendo e exames e tomando um monte de injeções( eu tenho vontade de chorar quando lembro, mas já passou). Quando fiz 9 anos eu não morri, mas as coisas pioraram bastante... Passei a ficar roxo todos os dias, até que descobriram que minha capacidade respiratória havia piorado muito( tenho 12% da capacidade respiratória) e a médica deu a sentença: esse menino vai ter que dormir sentado, pois ele não consegue mais respirar deitado. Eu simplismente não conseguia mais respirar deitado. Minha mãe e meu pai compraram uma cadeira e começou o pesadelo de ter que passar meses dormindo em uma cadeira, eu simplismente não conseguia dormir direito, era muito desconfortável. Eu apenas rezava para que Deus me tirasse daquele sofrimento. Fui para São Paulo, Brasília e nada, eles só me faziam de cobaia e o sofrimento era insuportável. Eu havia virado um farrapo humano, mas meus pais não desistiram, até que encontraram um médico que disse que havia um aparelho respiratório novo, que talvez pudesse me ajudar a dormir deitado outra vez. O aparelho custava uma fortuna, mas meus pais conseguiram, com muito trabalho, comprar. Parecia um sonho, eu não teria mais que chorar durante as madrugadas e nem sonhar que eu também poderia ser uma criança normal. Apesar de tudo, eu não sabia o motivo, mas eu era feliz. Tudo parecia que estava indo bem, apesar de ainda passar grande parte do tempo no hospital, eu já podia ir à escola, eu tinha 12 anos e estava na sexta série. Tudo ia bem, quando em uma manhã, quando estava saindo de casa para pegar o escolar, eu caí duro no chão, eu tive uma parada respiratória. Havia um hospital a 3 quarteirões da minha casa, o que, segundo o médico salvou a minha vida. Mas tive que mudar para o Felicio Rocho, pois eu estava em coma e a situação não era nada boa. Eu tive uma intoxicação de CO2, o aparelho estava retendo gás carbonico no meu sangue. O médico quando viu meus exames e taxa de CO2 no sangue, não conseguia acreditar que eu estava vivo e mandou refazer os exames. Parecia milagre, mas médicos não acreditam em milagres e logo disse ao meus pais: se preparem, ele vai ter falência de órgãos em breve, melhor preparar as coisas.... Ou Deus já estou chorando, é difícil lembrar dessas coisas... Eu passei um mês na UTI, perdi o ano escolar e parecia que tudo estava perdido... talvez a minha hora havia chegado, estava inconsciente e não sentiria dor alguma... minha família estava firme, eles achavam que eu ainda não deveria ir, e fizeram o impossível para e trazer de volta. Minha mãe rodou o Brasil em busca de uma esperança, um milagre ou uma palavra de conforto, até que descobriu um aparelho novo em São Paulo, um aparelho americano, que prometia resolver o meu problema( é o que eu uso para dormir até hoje). O médico achou que ela tava doida e que iria por minha vida em risco, mas eu já nem tinha vida, aí ele concordou em testar o aparelho lá no hospital( o Dalton deixou a gente testar sem pagar) e deu super certo. Os exames pareciam milagre, tudo ótimo. O médico mandou repetir os exames outra vez e começou a acreditar em milagres, pois era certo que eu estava fazendo hora extra nesse mundo. Saí do hospital e consegui terminar o ensino fundamental, aí mudei de escola, pois havia, por causa da minha condição física, sofrido alguma humilhações. Eu nem sofri muito, pois já tinha sofrido muito bullyng na escola anterior, aí já tinha me acostumado a ser o aleijado. Era muito sofrimento, mas eu tinha a minha família e alguns amigos maravilhosos. Eu era feliz!
 
 
 
 
 
Quando fiz 15 anos minha mãe fez uma festa e gravaram um vídeo falando o tanto que eu era bondoso e alegre. Fiquei feliz, as vezes é bom se sentir querido e respeitado. Fui para a nova escola e a turma era ótima, eu estava no temido e decisvo ensino médio. Tudo parecia ótimo, mas a doença me pegou outra vez e tive que ir para a uti outra vez, havia tido uma narcose por causa de uma medicamento para a respiração. Eu tive que sair da escola, fui piorando e não conseguia mais andar. Tinha 15 anos e tive que ir para a cadeira de rodas, mas tudo bem, eu ainda tinha minha família e era feliz. Passei a estudar muito, lia uns 100 livros por ano. Passei a estudar alemão, espanhol e consegui aprofundar ainda mais no inglês, mas os problemas só aumentavam e tive que estudar em casa e depois ir fazer as provas do supletivo( morro de vergonha de contar isso). Consegui terminar o segundo grau e queria muito fazer uma faculdade.
 

               
 

Nessa época estava me descobrindo e tinha perdido a virgindade com uma menina mais velha( foi ótimo, mas muito contragendor, pois me sentia uma criança). Eu não sei o motivo, mas decidi que iria fazer Relações Internacionais lá na PUC Coração Eucarístico. Planejei tudo: andaria 3 km de cadeira, andaria 14 estações e em 1:10 minutos eu estaria na PUC. Acordava às 5, aí conseguia chegar a tempo para ver as aulas. Também conseguia fazer matérias a tarde, o que facilitou a minha vida. Minha família achou que eu era doido, pois era muito sacrificante e eu logo desistiria, mas consegui formar. A morte da minha vó preferi nem comentar, senão vou soluçar de tanto chorar, foram dias que passei sem sair do quarto... Consegui passar por tudo isso e hoje sou muito feliz, penso que encontrei o meu lugar nesse mundo. Recebi um convite de participar do blog A cadeira Voadora, serão uma série de 4 posts... E estou amando a nova experiência!!
 
 
 


 

 

25 comentários:

  1. Nossa.ele passou tantas coisas,e mesmo assim não deixou a peteca cair!!Parabens meninas pelo blog bjsss da Lesada

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  2. Adorei, Pedrão! Vc é um sucesso completo!É uma satisfação pra mim ser sua amiga!

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  3. Pedro, meu primo-irmão, vc é um dos exemplos mais belos do que é sublimar! Vc sublimou os sofrimetos em esperaça e vontade de viver, mas viver bem, não apenas sobreviver! Quem te vê hoje, essa pessoa cultissima e interessante que vc nem imagina como a estrada foi longa! Vc é motivo de admiração e orgulho a todos que te conhecem! Beijo grande! Veronica

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    1. Vv, muito obrigado! Te amo! Beijão
      Pedro Muriel Bertolini

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  4. Laurinha, a honra é toda minha! :)
    Pedro Muriel Bertolini

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  5. Admirada!!!
    Parabéns Pedro pela superação e perseverança!!!

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    1. Erica, muito obrigado pelo carinho! Beijos
      Pedro Muriel Bertolini

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  6. Parabens Pedro, exemplo de vida para muitos que passam pelos mesmos problemas e para milhoes que nao passam por nada e ainda reclamam. Abraço. Fabio.

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    1. Fabio, obrigado pelas palavras de incetivo!
      Abraço,
      Pedro Muriel Bertolini

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  7. PEDRAO VC E DEMAAAIS ... FORTE. ARDUA .... MAS SUA CAMINHADA E LINDA!!!!!!!AMEI LER SEUS RELATOS .... AMEI CONHECER VC PELA TELINHA. PARABENS PELA SUA VIDA!!!!!!!!!!! ELAINE SALLES

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    1. Elaine, muito obrigado pelo carinho! :)
      Abraço,
      Pedro Muriel Bertolini

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  8. Oi, Pedro! Muito legal você contar sua história pra gente!! Na vida a gente sempre faz escolhas, e você escolheu SER FELIZ!! É isso aí!! Parabéns!! Abraços!
    Viviane

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  9. Sheridan Guimom Barnardes10 de agosto de 2013 20:24

    Pedro vc é um exemplo de superação, eu presenciei de perto a sua luta pelos estudos, pela vontade de aprender e vi muitas vezes vc sofrendo bullyng, mas vc sempre soube muito bem lidar com tudo isso.
    Vc é um guerreiro !!!!
    Parabéns pela sua formatura, pela linda família que Deus lhe deu, principalmente pela linda vó que vc teve, pois lembro dela levando e buscando vc na escola, sempre com uma carinha boa e um sorriso lindo e lhe passava segurança.
    Não existe palavras para descrever vc... sua FORÇA ja diz tudo.
    Sucesso...Beijos e fica com Deus.

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  10. AH Pedro!! Claro que eu ia clicar no Saiba mais né! Como é emocionante "ouvir" de você a sua história! Um exemplo vivo de determinação e coragem. Muito sucesso nessas postagens, que elas abram novos caminhos :)

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    1. Julinha, muito obrigado! Tamo junto! ;)
      Beijão,
      Pedro Muriel Bertolini

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  11. Vi a página no facebook da Helena e vim conferir.
    Muito legal sua história!! Super te admiro!!
    Parabéns!!

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  12. Pedro!te ADMIRO muito! Você é um vencedor, um guerreiro! Extremamente dedicado e muito sábio e iluminado! Tenho orgulho de ser sua amiga! Carlinha

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    1. Carlinha, a honra é toda minha! Te adoro!
      Beijão,
      Pedro Muriel Bertolini

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  13. Pedro, que história de vida linda! Te admiro pela força que você tem.. você é um exemplo pra mim. Eu lembro de você nas aulas do prof. Onofre, teoria II!! osso duro de roer rs rs
    Fiquei feliz em conhecer esse blog, vou passar para uma prima minha que também é cadeirante.
    Um grande abraço!! espero ouvir mais histórias suas!

    Pamela Louback Ventura

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    1. Pamela, muito obrigado pelo carinho! ;) Encontraremos em breve! ;)
      Beijão,
      Pedro Muriel Bertolini

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  14. Muito bom o texto! Sempre admirei sua energia e força de vontade, tenho orgulho demais de você, fubangs!

    Parabéns a todos que tiveram a ideia de fazer um blog sobre o tema, é preciso alertar mesmo sobre a necessidade de deixar os locais mais acessíveis. Em regra não há mobilidade urbana ou então ela é precária, o que é um absurdo diante de tanto dinheiro pago por meios dos tributos. A cidade é para ser vivida, e isso só é possível com o livre acesso a todos.

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  15. Olá Pedro,
    Tudo bem?
    Sou cadeirante e vi seu "post" sobre sua viagem em Roma. Estarei indo a passeio pela primeira vez e gostaria de algumas dicas.
    O hotel em que ficou em Veneza? Os melhores e "piores" passeios? Etc...
    Desde já agradeço. Grande beijo

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  16. Oi Pedro, quanto tempo! Eu tenho que te parabenizar. Sempre soube que você era extraordinário, mas não sabia o quanto. Linda sua história. Parabéns!!!
    Gabriela Moreira

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  17. Sou fã do Pedro! Melhor companheiro de viagem desse mundo! Obrigado por compartilhar comigo muitas das suas aventuras! #tamujunto
    Tiago Muriel.

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