domingo, 22 de setembro de 2013

Sobre outros olhares

Já tem um tempo que eu queria tocar neste assunto aqui no blog, mas como acontecem muitas coisas
durante a semana alguns temas interessantes acabam ficando para depois. E essa é uma questão que sempre tive curiosidade (e acredito que não é apenas minha) e vejo que ainda não foi discutido diretamente com as partes interessadas. Falo da questão do ponto de vista dos homens sobre as mulheres com algum tipo de deficiência, o que eles pensam ao se aproximar e quem sabe se relacionar. E por uma incrível coincidência, recebi um link de uma matéria que falava da vida de uma mulher que devido a um ato de covardia e violência do seu ex, se tornou cadeirante, e ela falou das transformações que precisou fazer para se adaptar a essa nova realidade, e a repórter em umas das questões abordava justamente sobre isso, uma cadeirante falando sobre sua impressão deste olhar masculino. Vou disponibilizar o link da matéria na integra para que vocês possam ler e tirar suas próprias conclusões.

Sempre tive uma cabeça muito boa quanto a me aproximar das pessoas, tenho facilidade em fazer amizades mas no quesito “romance/paquera” confesso que ainda tenho muito o que aprender kkkkkkkkkkkkkk pois como sou ansiosa, não consigo prolongar muito os joguinhos de sedução (como falei antes eu sou agoniada, e vou logo querendo saber o que se passa, não consigo ficar na enrolação. Entendem?!). E como tenho dois irmãos mais novos que eu, convivi muito com os meninos e prestava atenção na forma como eles agiam comigo e como falavam de mim para os outros. Vi que sempre tinham todo um cuidado, me protegiam de tudo e de todos (empatavam qualquer aproximação masculina interessante :/ ). Quando eu saio, vejo que tem olhares, sorrisos mas nada de aproximação. Às vezes ficava procurando algo na minha roupa, maquiagem, perfume mas não era nada comigo, pois depois de um bom tempo de show rolando esses mesmos carinhas se aproximavam, tomavam coragem e vinham conversar comigo. E essa abordagem tem seguido esse padrão, não que só cheguem os alcoolizados, e eles também chegam (para minha tristeza e teste de paciência), mas eles ficam de longe só observando o meu comportamento. Como se estivessem se acostumando e aprendendo a lidar com as diferenças. Depois que as apresentações fluem, a conversa acontece naturalmente e as perguntas de praxe também: “Poxa, você aí tão feliz com teus amigos curtindo numa boa, toda linda e simpática.... não deixa nada te limitar. Isso é muito bom de ver!”, ou “Poxa, como você é feliz!? Dá uma inveja de te ver sorrindo...”, “ Sabia que você é linda?! Não hoje, mas quero muito poder conversar e te conhecer melhor, com mais calma, longe desse barulho” .... e por aí vai. É engraçado ver que uma mulher numa cadeira de rodas pode gerar tanta curiosidade e despertar o interesse de aproximação kkkkkkkkkkkkk mais ainda quando está mulher faz questão de mostrar o quanto é feliz e linda, independentemente de qualquer coisa. 

Então, resolvi perguntar a alguns amigos meus (andantes e bem resolvidos) e tentar tirar deles o máximo de sinceridade possível sobre o assunto. E pra minha surpresa, apesar deles não se conhecerem, responderam coisas parecidas.Vou mostrar a vocês o que eles me responderam, os nomes não vou poder mencionar, mas as respostas foram dadas com toda a sinceridade, isso posso assegurar.
A pergunta que eu fiz foi a seguinte: O que intimida mais você ao se relacionar com uma mulher com deficiência física? O receio de assumir o papel de "cuidador”, a questão das diferenças ....
Mas de que forma isso seria um problema?!
Te faria desistir ou não importaria?!

(F.B, 30 anos, Solteiro) Realmente no momento que a pessoa começa a pensar na possibilidade de namoro ou relacionamento mais sério deve terminar vindo a mente sim. Eh porque é pau... Do jeito que tô hoje em dia já boto tanta barreira, se vejo alguma possível dificuldade já vou descartando a possibilidade de relacionamento. Mas quando se apaixona a pessoa vai metendo a cara.

(G.P, 30 anos, Solteiro) Enfim, acho q as diferenças não são problemas, e também creio que a questão de assumir a posição de cuidador também não seja problema, porém entre as duas situações creio q ser cuidador é pior em parte... Na verdade, eu acho que as condições de acessibilidade de cada cidade e até mesmo a falta de experiência do homem com deficientes, faz com ele se afaste... Não sei se os outros homens pensam como eu mas imagina eu te levar para um motel sem atentar para a acessibilidade, e chegar lá ter uma escada enorme e apertada? Te carregar nos braços seria o de menos, mas fazer você passar por essa situação é o pró. Imagina eu te levar a um bar ou restaurante com acessibilidade, mas em certa ocasião eu pedir um prato que exija força física da pessoa para por exemplo, cortar um carne... E eu não sabendo suas limitações e perceber q na hora você ficou "errada" seria horrível... Tudo aparenta ser complicado na questão lidar com deficientes físicos, mas contudo, talvez o problema esteja no homem. Eu me preocupo muito com minha imagem e com minhas atitudes. Em resumo, sair com uma garota deficiente iria me colocar em prova a todo tempo e talvez por eu não ter experiência com deficientes ou intimidade com a mesma, iria deixar quaisquer momento a dois complicado.

(A.M, 33 anos, Solteiro) Não sei, nunca pensei nisso. Eu acho que seria uma relação normal. Se houver sentimentos verdadeiros qualquer coisa dá certo. E quanto as dificuldades do dia a dia, só a prática iria dizer.

(G.C, 25 anos, Solteiro) Não vejo diferença em namorar alguém com deficiência, mas me preocupo com os sentimento dela, pois sou uma pessoa q não quero ter relacionamentos sérios no momento. E se começo a namorar, penso no fim dele e como isso a afetaria.

(I. A, 35 anos, Solteiro) Se gostar realmente da pessoa não importa a deficiência pois qualquer pessoa que hoje corre amanhã pode não andar ninguém está livre do imprevisto na vida. 


Nas conversas que tive com esses meus amigos, pude ver que “o grande problema” está realmente na falta de informação e principalmente na postura que adotamos e passamos para os outros. Limitações todos nós temos, umas mais visíveis que os outros mas TODOS nós as temos. Por falar nisso, pensei: “o que seria do Super Man se saísse divulgando a torto e a direita que é indefeso contra a kriptonita!?”, doidera total né kkkkkkkkkk. Todos nós temos as nossas fraquezas, nossos pontos fracos, mas nem por isso vamos perder nosso tempo valorizando ou exaltando cada um deles não é!? A falta de informação é algo que existe e torna ainda mais inacessível o nosso dia a dia. Por isso cabe a nós, pessoas com deficiência, sanar isso. É nosso dever mostrar que o dia a dia de um cadeirante, muletante, deficiente auditivo, visual ou demais limitações, não é nada absurdo. Precisamos apenas de algumas adaptações, mas no final tudo é igual, inclusive no quesito paquera/romance!!!

Valorizar nossos “super poderes”, mostrar que estamos afim sim, e perder o medo de falar sobre nossas limitações. Mostrar que apesar das nossas fragilidades somos pessoas com desejos e necessidades. Como prometi, vou deixar o link da matéria.

http://revistamarieclaire.globo.com/Mulheres-do-Mundo/noticia/2013/09/cadeira-de-rodas-nao-e-motivo-para-perder-sensualidade-diz-professora-amapaense.html

Beijos e inté mais

=)

6 comentários:

  1. Amei!!! Passei e perdi anos da minha vida pensando ao contrário e hoje descobri que posso e devo paquerar, amar, namorar, curtir como qualquer outra. Todo ser humano tem fraquezas, independente ter ter deficiência ou não. Cada dia mais estou aprendendo vencer meus medos e explorar meus "super poderes" hehe .... Parabéns. Show essa matéria.

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    1. Ficamos muito felizes em saber que você está dando a volta por cima, e explorando os teus "super poderes" kkkkkkkkk Beijos e fique a vontade para comentar e sugerir temas.

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  2. Aceita uma crítica construtiva? Um ótimo tema, gostei da ideia de abordar homens "normais" e sondar suas impressões sobre o tema, mas a escrita dificulta a leitura do texto. Faltou estrutura, melhor organização das ideias, mas principalmente uma correção geral no texto.

    Outra coisa, se os comentários são moderados, pra quê verificação de palavras? É super chato ter que escrever aquelas letras e nem sempre a gente acerta de primeira.

    São coisas básicas que acho que melhorariam em muito o blog que já é ótimo.

    beijos

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    1. Olá Paula, agradecemos suas sugestões, todas são sempre muito bem vindas!!
      Mas vamos tentar responder cada uma das questões que você levantou tá!?
      Quanto a forma escrita do texto em questão e do nosso blog, gostamos de usar nossos posts como conversas informais com nossos leitores.
      Não somos especialistas e o texto não tinha a intenção de ser técnico, quisemos brincar e descontrair. Dar um tom de leveza a uma temática séria que mexe de maneira profunda com muita gente, além de debater um ponto de vista.
      Mostramos o que vivemos e tentamos "conversar" com vocês aqui como falamos com nossos amigos do dia a dia, por isso optamos por esta estrutura menos formal. Desculpe se desta forma dificultei seu entendimento.
      O sistema de verificação de palavras, era algo do próprio formato do blog, e já foi alterado. Estamos mudando a nossa estrutura, vamos migrar para um site, aí sim poderemos oferecer a você e a todos os que nos acompanham uma melhor qualidade no que diz respeito ao contato conosco e visualização do nosso conteúdo.
      Novidades estão por vir!!!!!
      Mais uma vez agradecemos suas sugestões e fique a vontade para nos procurar e dar mais contribuições.
      Beijos,
      Equipe InPerfeitas

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  3. Que materia massa! Parabeens meninas, ficou muito bom!

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    1. Brigadão Julia!
      PS: Ansiosa pra te conhecer ;)
      Beijão

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